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Bombeiros
439 o número da VERGONHA para o Brasil em defeza dos Bombeiros
"Os bombeiros não são vândalos. São chefes de família querendo viver com dignidade", com essas palavras, o cabo Benevenuto Daciolo, um dos líderes dos bombeiros militares, arrancou gritos de apoio e aplausos das milhares de pessoas que participaram da passeata deste domingo (12).
A população respondeu à convocação e compareceu em grande volume à marcha em apoio aos bombeiros organizada na orla de
Os organizadores do evento acreditam ter reunido quase 50 mil pessoas no auge da passeata. Segundo a tenente-coronel Cláudia Louvain, comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar (Copacabana), havia 15 mil manifestantes. Toda a passeata ocorreu de forma pacífica.
A categoria de bombeiros militares reivindica um piso salarial líquido de R$ 2.000 (hoje é de R$ 950), o fim das gratificações e vale transporte.
"Nós estamos prontos para dialogar. Queremos negociar", frisou Daciolo do alto de um caminhão de som, passando um recado ao governo do Estado.
No auge da crise, no último dia 4 de junho, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exonerou o coronel Pedro Machado, então comandante-chefe do Corpo de Bombeiros, e mandou prender 439 bombeiros que invadiram o quartel central da corporação.
Na ocasião, Cabral chamou os bombeiros de "vândalos" e "irresponsáveis". Para negociar, os bombeiros exigem a anistia criminal e administrativa.
Neste domingo, apesar de os organizadores repetirem que o evento não possuía motivações políticas, em determinados momentos os manifestantes se uniram no coro de "Fora Cabral".
Também protestaram durante a passeata professores públicos, policiais militares, policiais civis e outros servidores públicos.
Vera Nepomuceno, coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), tomou o microfone para enaltecer os bombeiros. "Dessa vez eles conseguiram colocar fogo, e não apagar o fogo", afirmou.
Ao longo da orla, moradores e hóspedes de hotéis estenderam toalhas, camisetas e panos vermelhos nas janelas. Coincidência ou não, uma das bandeiras hasteadas em frente ao hotel Copacabana Palace era a da Suíça, idêntica à dos bombeiros.
Conhecida como "Marrom", hoje a cantora Alcione vestia vermelho. "Sou madrinha dos bombeiros há muitos anos. Não poderia deixar de comparecer. O uniforme que estou usando eu tenho há algum tempo e ganhei deles, vou usar minha voz para ajudá-los", disse a cantora maranhense.
Um dos pontos altos da passeata em Copacabana ocorreu quando 439 balões vermelhos foram soltos ao céu. Cada balão representava um bombeiro preso.
Muitos parlamentares participaram da passeata. "Prisão é lugar de bandido, não é lugar de bombeiro militar", disse Protógenes Queiroz (PC do B-SP) ao final da passeata.
Junto dos também deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ) e Doutor Aluizio (PV-RJ), Protógenes encaminhou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) o pedido de habeas corpus em favor dos 439 bombeiros presos.
O habeas corpus acabou sendo concedido pelo desembargador Cláudio Brandão de Oliveira na madrugada da última sexta-feira (10).
Os parlamentares também ajudavam a recolher o maior número possível de assinaturas para reforçar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) o encaminhamento de uma proposta de emenda constitucional que conceda a anistia aos bombeiros presos. Já existem projetos da mesma natureza na própria Alerj e no Congresso Nacional.
Vários grupos de motoqueiros também foram para a Avenida Atlântica a fim de demonstrar o apoio à causa dos bombeiros.
Um motoqueiro tinha um motivo especial de estar ali. Há oito anos, Maurício Gonçalves Duarte sofreu um assalto na Avenida Suburbana, zona norte do Rio, e levou três tiros no tórax.
"Quem estava lá quando eu precisei? Foram os bombeiros que salvaram a minha vida. Vim aqui num gesto de agradecimento", afirmou Maurício, que ficou um ano e meio numa cadeira de rodas até se recuperar integralmente.
"Nós estamos prontos para ajudar qualquer grupo que precise de apoio", disse Edvaldo Marroca, motoqueiro do grupo "Imortais". "Quem dá o primeiro socorro se algo acontecer com a gente é o bombeiro", disse.
Fonte: bol