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Escolas de Samba do Rio de Janeiro
Confira o primeiro dia do desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
São Clemente faz público cantar homenagem ao Rio
Escola exaltou as belezas naturais da 'Cidade Maravilhosa'.
Desfile ocorreu sem incidentes ou atrasos na Marquês de Sapucaí.
Bruna Almeida é a rainha de bateria da São Clemente (Foto: Luciola Vilela/G1)Bruna Almeida é a rainha de bateria da São Clemente (Foto: Luciola Vilela/G1)
Sem ameaça de rebaixamento por causa do incêndio que afetou três escolas, a São Clemente fez um desfile descontraído e bastante colorido na abertura do carnaval do Rio de Janeiro. Na noite deste domingo (6), ela escolheu exaltar as belezas naturais do Rio de Janeiro no seu retorno ao Grupo Especial.
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A escola entrou às 21h10 e deixou a Sapucaí às 22h32 com o enredo 'O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza'. Um dos destaques foi o samba, que tinha boa melodia e o apoio de versos de fácil memorização. Eles foram cantados no sambódromo: "Sou carioca e são clemente/Irreverente, minha paixão/Meu rio sua beleza inspira o mar azul/Canta zona sul!".
A comissão de frente da São Clemente mostrou a reunião dos principais santos de devoção no Rio em uma espécie de conselho deliberativo para decidir a fundação e os caminhos da cidade.
Os passistas da comissão de frente evoluíram inclusive com ciclistas. As bicicletas acompanhavam o quiosque que servia de apoio para os santos fundadores. Durante a apresentação, um dos integrantes levou um tombo com a bicicleta, mas se recuperou logo em seguiida e seguiu no desfile. A coreografia é assinada pelo professor e bailarino Caio Nunes. Ele já fez trabalhos na Grande Rio, Salgueiro e, mais recentemente, na Vila Isabel.
A escola de Botafogo planejava levar cerca de 3,2 mil componentes para a avenida, divididos em 36 alas. O carnavalesco Fábio Ricardo fez referências a pontos turísticos como Floresta da Tijuca e o Corcovado nas fantasias e nos sete carros alegóricos da São Clemente. O amarelo e o preto, que dão cor ao pavilhão da escola, estão presentes em grande parte do desfile.
No setor chamado de "Conquista", dois tripés de cerca de sete metros de altura representaram a Pedra da Gávea. Já o carro que simbolizava o Jardim Botânico chamou a atenção pelas esculturas que lembravam o chafariz e a fonte. A alegoria usou cerca de 10 mil litros de água para tornar mais real a representação.
Parte da história do Rio, as enchentes também estiveram presentes no desfile da São Clemente. Para retratar com clareza e irreverência o drama dos desabrigados, o carnavalesco criou a fantasia do mergulhador com uma mala na mão. O setor traz um imenso bote salva-vidas. Já a alegoria apresentou a famosa Arca de Noé e alguns barracos.
Bira e Jaqueline desfilaram como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A rainha de bateria Bruna Almeida seguiu à frente dos ritmistas comandados pelos mestres Gil e Caliquinho. O intérprete Igor Sorriso foi o responsável por puxar o samba-enredo na Avenida.
Imperatriz Leopoldinense
Medicina e carnaval: a parceria aparentemente improvável proposta pela Imperatriz Leopoldinense deu samba e coloriu a Sapucaí. Com o enredo "A Imperatriz adverte: sambar faz bem à saúde", a verde e branco de Ramos fez um desfile bem elaborado tecnicamente. No lugar do luxo barroco dos últimos desfiles da escola, o carnavalesco Max Lopes apostou na explosão de cores, no humor e no belo acabamento das fantasias para tentar quebrar o jejum de 10 anos sem títulos.
Primitivos curandeiros, avanços da medicina e até as doenças modernas como a 'gripe suína' e o 'mal da vaca louca' foram tratados com capricho e descontração. Temas como gravidez, implantes e até bebês de proveta também foram lembrados pelas alas. Um princípio de incêndio no sistema de embreagem do abre-alas provocou um susto na concentração da escola, mas os bombeiros agiram rápido e controlaram o fogo, sem nenhum prejuízo.
Portela
Uma das afetadas pelo incêndio que atingiu a Cidade do Samba, a Portela não deixou se abater e levou para a Marquês de Sapucaí um desfile com muito brilho e a empolgação de seus 4 mil componentes. A escola chegou a extrapolar o tempo, mas eles não serão levados em conta já que a escola não disputa título este ano.
A superação deu o tom do desfile sob o enredo "Rio, azul da cor do mar", que tratou dos mitos sobre monstros e criaturas das profundezas do mar, além de homenagear os 100 anos do Porto do Rio, exaltado como a porta de entrada do país. Na avenida, não havia sinais das perdas que a escola teve no incêndio.
Unidos da Tijuca
O carnavalesco Paulo Barros comandou um novo espetáculo. Quarta escola a desfilar, a escola repetiu a fórmula que rendeu o título de 2010: colocou na avenida efeitos especiais, alas coreografadas e pontuou o desfile com referências pop. A agremiação tratou do medo no cinema com o enredo "Esta noite levarei sua alma".
Truques de ilusionismo encantaram o público já na apresentação da comissão de frente. Integrantes fantasiados como se fossem mortos-vivos desenvolveram uma coreografia na qual simulavam 'tirar' a cabeça do pescoço e também deslocar o tronco da cintura.
Os passos combinados e movimentos de mãos foram uma marca da apresentação. Eles estiveram também no carro 'Avatar', que trouxe o pássaro gigante Toruk Makto acompanhado de desenhas de foliões que desenvolviam movimentos pré-combinados.
O carro 'Transformers' também fez sucesso na Sapucaí. Nele, homens se transformam em carros vermelhos. Outro destaque entre os efeitos foram as alegorias que simulavam o ataque de um tubarão e outro que lembrava o herói Indiana Jones.
Vila Isabel
O inusitado enredo sobre a história do cabelo foi apresentado de forma criativa e bem-humorada pela Vila Isabel. A escola levou para Sapucaí um festival de musas, entre elas a top Gisele Bündchen, que fez sua estreia no sambódromo e estava fantasiada de Vênus de Milo. Bárbara Borges, Quitéria Chagas e as ex-BBBs Lia Khey e Ariadna completaram a lista de celebridades.
Com o enredo "Mitos e história entrelaçados pelos fios de cabelo", a escola veio com praticamente todos os seus cerca de 4 mil componentes vestindo perucas para retratar as modas, costumes e histórias de madeixas que fizeram a cabeça da humanidade.
Magueira
A Estação Primeira de Mangueira realizou um carnaval empolgante com o enredo "O filho fiel, sempre Mangueira", em homenagem a Nelson Cavaquinho. Desde a concentração a escola fez uma apresentação emocionada: o cronômetro foi ligado enquanto o ator Milton Gonçalves ainda lia um poema em homenagem a Nelson Cavaquinho, o que fez a escola entrar na avenida após dois minutos.
Além de fantasias e carros bem acabados, o bom samba da escola foi cantado pelo público. As arquibancadas permaneceram cheias até o amanhecer, mesmo com pancadas de chuva leve que caíram no começo da apresentação.
Destaque da escola, a bateria repetiu diversas vezes uma paradinha que deu espaço para que os integrantes cantassem com entusiasmo o verso "Traço o meu passo no compasso/ Do surdo de primeira.../Sou Mangueira!". O encerramento da escola pode ter ficado comprometido no quesito evolução. Ela apertou o passo para encerrar o desfile dentro do tempo máximo: uma hora e 21 minutos.
Fonte: g1