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Irã diz estar preparado para assinar acordo nuclear mediado por Lula
Presidente do Brasil viaja a Teerã e tenta evitar sanções da ONU ao país de Ahmadinejad
Lula entrega camisa autografada da Seleção Brasileira ao primeiro-ministro do Qatar, Hamad bin Jassem al-Thani, antes de viajar ao Irã neste sábado (15)
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, disse neste sábado (15) que o país está com o "terreno bem preparado" para firmar um acordo de troca de combustível nuclear mediado pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Siva, que inicia neste domingo (16) uma visita oficial à República Islâmica.
Em declarações à agência oficial Irna, Mehmanparast adiantou que o assunto será o tema principal da reunião deste domingo entre Lula e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
- O Irã percebe o terreno bem preparado para um acordo sobre a troca de combustível.
O porta-voz também se mostrou otimista quanto à efetiva assinatura do acordo, exigido pela ONU para evitar novas sanções econômicas ao Irã por causa de seu polêmico programa nuclear.
- Sobre as negociações, acredito que as condições tendem a levar a um acordo sério sobre a troca.
A queda de braço se agravou nos últimos seis meses, depois que o Irã colocou empecilhos a uma oferta de troca de combustível nuclear para seu reator civil e começou a enriquecer urânio a 20% por conta própria. As potências ocidentais acusam o país persa de tentar fabricar armas atômicas, insinuação que Teerã nega.
Desde então, os EUA, apoiados por França e Reino Unido - todos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - tentam aprovar uma nova série de sanções, que, segundo diplomatas, pode estar pronta em junho próximo.
A China e a Rússia, países com direito a veto no Conselho de Segurança, mantém uma posição ambivalente, pedindo mais negociação, mas acenando com sanções, caso o acordo falhe.
Já Turquia e Brasil, em princípio contrários a medidas punitivas, ganharam força como mediadores, papel que despertou suspeitas, especialmente do governo americano, que acusa o Irã de tentar ganhar tempo com as negociações.
O Irã exige que seu urânio "pobre" seja trocado por urânio enriquecido (a 20% de pureza) de forma simultânea em seu próprio território, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), condição recusada pelas potências.
O Brasil sugeriu como alternativa que a troca seja feita em outro país, e apontou para o outro mediador, a Turquia, como solução. No entanto, primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, cancelou sua visita, programada para o mesmo dia da viagem de Lula. Mehmanparast disse que não há data estipulada para ele ir ao país, mas minimizou o efeito disso sobre um possível acordo.
- Seria melhor para Erdogan se ele pudesse estar fisicamente em Teerã, mas na era das comunicações, há outras maneiras de estar conectado.
Fonte: R7